segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Revolução dos Jasmins contra as autocracias

A Revolução dos Jasmins iniciou na Tunísia com a imolação de um jovem e logo se alastrou para outros países. Agora, a revolta chega ao Egito e ao Iêmen. Em entrevista ao jornal Página/12, o sociólogo e filósofo Sami Naïr, professor de Ciências Políticas na Universidade Paris VIII e presidente do Instituto Magreb-Europa da mesma Universidade, analisa a originalidade e as causas destas revoltas árabes. Autor de ensaios e análises sobre política internacional, Naïr aponta como primeiro fator alimentador da revolta o fato central de que o medo mudou de campo. É o poder que enfrenta agora um povo que perdeu o medo.


A chamada Revolução dos Jasmins que iniciou na Tunísia há algumas semanas se estendeu como um rastilho de pólvora para vários países árabes, e não os menores. O Iêmen e, sobretudo, o Egito, vivem hoje revoltas que têm características revolucionárias. Trata-se de um fenômeno tanto mais único na medida em que o discurso ocidental sempre tratou os países árabes como incapazes de assumir coletivamente um destino democrático. Tunísia, Argélia, Mauritânia, Iêmen e Egito não só desmentem esses argumentos como também abalam desde a raiz as ditaduras que governam esses países há décadas com mão de ferro e privilégios exorbitantes.

Alguns analistas asseguram hoje que já não se trata de saber que regime cairá primeiro, mas sim qual se salvará dessa onda de aspirações democráticas cujos protagonistas são as classes médias, os setores menos favorecidos e os jovens, que se organizam por meio da internet e das redes sociais. O mais moderno do mundo irrompe como instrumento de comunicação e protesto contra poderes dinossáuricos. Os protestos revelam também a ruptura sem remédio entre autocracias longevas, respaldadas historicamente pelo Ocidente, e a legitimidade popular.

O sociólogo e filósofo Sami Naïr, professor de Ciências Políticas na Universidade Paris VIII, presidente do Instituto Magreb-Europa da mesma Universidade, analisa em entrevista ao jornal Página/12 a originalidade e as causas desta revolução árabe. Autor de ensaios e análises sobre política internacional, Naïr aponta como primeiro fator alimentador da revolta o fato central de que o medo mudou de campo. É o poder que enfrenta agora um povo que perdeu o medo.

A entrevista

A Revolução dos Jasmins iniciou na Tunísia com a imolação de um jovem e logo se alastrou para outros países. Agora, a revolta chega ao Egito e ao Iêmen. Você dizia em uma análise que, assim como ocorreu primeiro na América Latina e depois nos países do leste europeu, certa parte do mundo árabe está despertando para a história.

- Sempre prensei que, ao menos no século XX, o laboratório dos povos foi a América Latina. A Revolução Russa não pode ser entendida sem a Revolução Mexicana. Os latino-americanos inventaram todas as formas de luta possíveis e imagináveis. Na América Latina, se experimentaram as guerrilhas, as lutas políticas, os despotismos, as ditaduras. A partir dos anos 80 e 90, as ditaduras caíram em quase todos os países da América Latina. Esse movimento contra as ditaduras se desenvolveu em outros lugares do mundo, por exemplo, nos países do leste europeu a partir da queda do Muro de Berlim. Agora, esse movimento de fundo que iniciou na América Latina está atingindo todos os países da orla árabe do Mediterrâneo e mesmo além, na península arábica, como está acontecendo no Iêmen.

O problema reside em que, contrariamente ao que ocorreu na América Latina, o movimento que eclodiu nestes países árabes não tem direção, nem organização, nem programa. É um movimento totalmente espontâneo com duas características fundamentais: em primeiro lugar, trata-se de um movimento que destrói definitivamente a ideia de que estas sociedades estão condenadas a viver com o perigo extremista e fundamentalista, por um lado, e, por outro, com a ditadura, que seria uma suposta garantia necessária contra esse perigo fundamentalista. Agora está se demonstrando que o problema é muito mais complexo e que estes países não querem experimentar nem o islamismo nem o fundamentalista, mas sim que, basicamente, desejam a democracia.

O segundo elemento importante, e que pode lembrar o que ocorreu na América Latina, reside no fato de que há uma aliança circunstancial entre as camadas mais pobres e humildes, sem verdadeira inserção social, e as camadas médias empobrecidas nestes últimos anos. Na última década, todos esses países padeceram de um empobrecimento muito importante das classes médias e agora há uma fusão entre esses setores e a base popular, as classes pobres totalmente excluídas do processo de integração dentro da sociedade.

Se essas revoltas forem até o fim nestas autocracias árabes estaríamos vivendo uma autêntica revolução mundial, um giro decisivo na história de nossa concepção dos sistemas políticos mundiais. Sempre se acreditou que os países árabes eram incapazes de assumir uma forma de democracia popular e participativa.

- Isso corresponde a um discurso muito depreciativo construído pelos países ocidentais, pelo capitalismo internacional cuja sede é a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE), Estados Unidos e União Europeia. Esses atores querem que haja estabilidade nos países árabes e para isso necessitam de regimes fortes e ditatoriais, porque o que importa a eles são duas coisas: em primeiro lugar que essa gente não emigre e, em segundo, que as fontes de recursos petrolíferos sejam garantidas. Por isso desenvolveram esse discurso em total sintonia com os ditadores que sempre repetiram: “nossos povos carecem de maturidade política e cultural e, por conseguinte, não podem ter acesso à democracia”.

Sabemos que tudo isso é falso, que as aspirações democráticas são muito fortes nesta região do mundo. Creio que o que está acontecendo agora demonstra isso de maneira muito clara. Cada situação é específica. Não se pode misturar o que ocorreu na Tunísia, um país que tem uma tradição laica e elites ilustradas muito fortes, com camadas sociais muito coesas, com a situação do Iêmen, onde impera um sistema tribal baseado na dominação despótica de um clã. A única coisa similar é o grau de dominação e a forma de controle, apoiada na polícia e no exército.

A explosão social no Egito tem matizes inéditos. No Egito o exército desempenha um papel central, onde o presidente, Hosni Mubarak, pertence a ele e onde quem está chamado a substituí-lo, seu filho Gamal Mubarak, é um liberal que não é bem visto pelas forças armadas.

O caso egípcio é muito particular, em primeiro lugar porque o país é um velho Estado de direito. Provavelmente seja o Estado de direito mais antigo do mundo. O Estado de direito moderno foi constituído por Mohamed Ali entre o final do século XVIII e início do XIX, ou seja, antes que nós na Europa soubéssemos o que era isso. Mas esse Estado foi destroçado pelos ingleses no século XIX. Em todo o caso, o filho de Mubarak, Gamal, não representa a democracia. Gamal Mubarak é o elemento chave da nomenclatura que domina o país em sua vertente mais liberal. A questão do liberalismo não pode ser concebida unicamente como liberalismo econômico, salvo se se trata de comparar o Egito com a China. Na China temos um despotismo político neocomunista e um liberalismo selvagem que encarna na verdade a dominação de uma elite burocrática. No Egito, é diferente. É impossível que se possa organizar um sistema liberal sem democratização da sociedade. É indispensável evitar que o Egito se transforme em uma república hereditária onde o pai ditador nomeia seu filho como futuro ditador liberal. As pessoas estão buscando outra coisa.

Querem a democratização da sociedade para que a sociedade civil possa escolher por meio de um debate democrático transparente. O filho de Mubarak é como seu pai. As pessoas não o querem porque já tem o exemplo da Síria, onde o filho substituiu o pai e terminou instaurando um sistema mais ou menos liberal, mas com a mesma ditadura.

Você assinala que o que começou a ocorrer na Tunísia e logo se espalhou para outros países é que o medo mudou de lado. O medo acabou.

- Isso foi muito importante neste processo. Eu estava na Tunísia quando tudo isso começou e vi como o medo mudava de campo. A revolta tunisiana estourou na localidade de Sidi Bouzid, com a imolação do jovem Mohamed Bouazizi. A partir dali, tudo se transtornou. Até esse momento, o regime tunisiano estava baseado no temor. Mas a morte de Mohamed Bouazizi mudou essa situação, sobretudo pela atitude do então presidente Bem Alí, que foi visitar a família da vítima. As pessoas se deram conta que quem tinha medo era o poder. O mesmo está ocorrendo no Egito. O mais importante nestas revoltas é a vitória do imaginário que significa que transformaram a relação com o poder: agora são os ditadores que devem temer os povos. Isso não significa que amanhã vamos ter uma revolução em todas as partes. Não. O movimento pode avançar, pode recuar, não sabemos o que vai acontecer. Mas o que sabemos, e isso já foi percebido pela população, é que os poderes podem mudar quando os povos querem mudar suas condições de vida e ousam enfrentar o poder para escolher seu próprio destino.

Por isso penso que estamos diante de uma onda que terá desdobramentos. Estamos na mesma história que os povos da América Latina abriram nos anos 80. Logo se seguiram os povos do Leste europeu nos 90 e agora estamos vendo isso acontecer com estes povos árabes. Não podemos esconder que o que está ocorrendo é também uma consequência da globalização. A globalização é má socialmente, mas tem algo bom, que é a globalização dos valores democráticos nas sociedades civis.

Tradução: Katarina Peixoto

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Núcleo SOI Viamão na luta contra corrupção


O núcleo SOI (Socialismo Independente) do PSOL de Viamão esteve na Câmara Municipal de Porto Alegre,no dia 15/12, reivindicando a CPI para apurar os desvios da Secretaria da Juventude.

No dia sete de dezembro, a vereadora Juliana Brizola foi a Tribuna requerer a instauração de uma CPI para investigar as três gestões que estiveram a frente da Secretaria de Juventude. Mas o presidente da Câmara, Nelcir Tessaro (PTB), baseado num parecer da Procuradora Geral da Casa sobre a FORMA do requerimento, resolveu arquivar o pedido embora tivesse sido assinado por 20 vereadores.

No dia treze, as vereadoras Juliana Brizola e Fernanda Melchionna (PSOL) encaminharam recurso contra a decisão de Tessaro. No entendimento da verª Fernanda o que se deve analisar é o CONTEÚDO e não a FORMA do requerimento. O recurso foi encaminhado para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida pelo vereador Pedro Ruas (PSOL) e foi votado na manhã de ontem (15/12). Embora Ruas tenha emitido um parecer favorável à instauração da CPI a Comissão rejeitou, por quatro votos a dois, o recurso das vereadoras Fernanda Melchionna e Juliana Brizola, determinando o arquivamento do pedido de CPI para investigar irregularidades na Secretaria Municipal da Juventude.

Na tarde de ontem (16/12), Luiz Braz que é membro da CCJ e votou contra o recurso das vereadoras Fernanda e Juliana, ou seja, a favor do arquivamento da CPI, protocolou um novo pedido de CPI. Em pronunciamento na tribuna o vereador Pedro Ruas (PSOL) alertou sobre o pedido protocolado por Braz: “Isso foi uma manobra política. Não sejamos ingênuos. O que está em jogo aqui é a presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito, porque quem propõe a CPI preside”.

A vereadora Juliana Brizola também protocolou um novo pedido de CPI, na sessão de ontem, mas o requerimento continha apenas 11 assinaturas. Oito vereadores que assinaram o primeiro pedido, no dia 7 de dezembro, se negaram a assinar o novo requerimento de Juliana Brizola.

O vereador Mauro Zacher, ex-secretário de Juventude e possível investigado na CPI, não compareceu a reunião da CCJ que votou o recurso das vereadoras Juliana e Fernanda e também não estava na sessão plenária de ontem que pautou a CPI da Juventude.
Após a discussão no plenário, dezenas de jovens munidos com água e sabão lavaram a rampa da Câmara Municipal. O protesto, organizado por diretores do DCE da UFRGS em conjunto com Grêmios Estudantis da Capital, era uma forma de pressionar os vereadores a assinarem o pedido de abertura da CPI para investigar a Secretaria Municipal de Juventude.

Durante a lavagem da rampa, diversas representações se pronúnciaram e se comprometeram com a luta contra a corrupção. Sônia Ciarlo, do SOI, afirmou que ''Viamão está unida com Porto Alegre na luta contra a corrupção e em qualquer ato que venha a ser realizado em prol do povo. Assim como a vereadora Fernanda, o vereador Romer Guex (PSOL) de Viamão está engajado na luta por uma política mais transparente e digna, para que sejam apurados os atos ilicitos que são cometidos com o dinheiro público.''

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Onde estão os mortos? (Barbárie)


Repressão na ditadura militar= repressão na ditadura do capital

Houve 37 mortes nas operações da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão; não se sabe como ocorreram nem quem era bandido ou inocente

Marlene Bergamo - 30.nov.2010/ Folhapress
Enterro de Rogério Cavalcante, que morreu após ser atingido por uma bala no Alemão
LAURA CAPRIGLIONE
MARLENE BERGAMO

O adolescente Davi Basílio Alves, de 17 anos, morreu na quinta-feira (25/11). Soldado do tráfico -a própria família o admite-, o jovem foi alvejado por policiais e caiu morto em uma rua de terra da Vila Cruzeiro, quando tentava fugir para o Complexo do Alemão. A mãe de Davi mora em uma viela suja, pichada com um imenso C.V. do Comando Vermelho, na parte baixa da favela.

A mulher logo recebeu a notícia de que o filho não conseguiu escapar. Quando o tiroteio amainou, ela correu ladeira acima. Viu Davi morto ao lado de um campinho de futebol e pediu aos soldados vasculhando as quebradas em busca de armas e drogas para que removessem o corpo de lá.

"Eles disseram que tinham mais o que fazer. Que, se ela tinha sido capaz de pôr um bandido no mundo, seria capaz também de enterrá-lo", rememorou uma vizinha.

A mãe telefonou para a funerária. "Disseram que não dava para fazer o trabalho." E não dava mesmo. Rajadas de tiros ainda cortavam a favela.

Choveu na noite de quinta. A manhã úmida veio com um calor de 29ºC na sexta. O corpo do adolescente grandalhão começou a incomodar. Rondavam urubus, que se empoleiravam às dezenas na torre de transmissão elétrica, a poucos metros dali.

AOS PORCOS

Das mais de 20 pocilgas localizadas nos terrenos baldios próximos, saíam porcos magros, em estado de fome crônica. No sábado, o cadáver amanheceu dilacerado.

A mãe arrumou um carro -a vizinhança já não suportava o cheiro. O corpo foi enrolado em uma lona e conduzido ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha.

Oficialmente, o jovem morreu naquele dia. Ficou assim registrado na planilha divulgada pelo Instituto Médico Legal: Davi Basílio Alves, 17 anos, pardo, Vila Cruzeiro. Só.

Para a Polícia Militar, 37 pessoas morreram em confrontos polícia-bandidos desde o dia 21 na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão.

Todo dia, a corporação solta um balanço das operações. Coisa sucinta, contabiliza mortos junto com número de garrafas PET e litros de álcool e gasolina apreendidos. Nenhum nome.

Para a Secretaria de Segurança Pública, morreram 18 pessoas (17 identificadas).

O número refere-se aos cadáveres produzidos a partir do dia 25. Os mortos entre os dias 21 e 24, a secretaria não contabiliza. E diz que nem o Instituto Médico Legal do Rio tem dados referentes aos mortos desse período, apesar de todos os corpos recolhidos nas favelas sinistradas pela violência terem sido encaminhados para lá.

INOCENTES

Coincidentemente, a contabilidade da Secretaria de Segurança Pública, omitindo as estatísticas anteriores ao dia 25, evita mencionar incômodas mortes de inocentes óbvios. Como a da adolescente Rosângela Barbosa Alves, 14, atingida por um tiro nas costas enquanto estudava dentro de casa, na frente do computador. Ou a da dona de casa Janaína Romualdo dos Santos, 43, e de um idoso -todos atingidos por balas perdidas.

Sobre as mortes ocorridas a partir do dia 25, o IML nada informa a respeito das circunstâncias em que elas aconteceram. Diz que os "detalhes sobre os laudos são peças de investigação e não serão divulgados".

Assim, não se sabe se houve tiros à queima-roupa, ou o número de perfurações nos corpos, ou se houve concentração de disparos na cabeça. Nem sequer se sabe se alguém morreu esfaqueado.

SILÊNCIO

A Folha pediu para entrevistar um perito do IML. Resposta: "Infelizmente, não há perito disponível para conceder entrevista sobre o laudo cadavérico dos corpos".

"Esse tipo de silêncio seria inadmissível se os mortos fossem moradores ricos de Ipanema, mas, como é gente pobre, vale tudo", disse uma professora da Vila Cruzeiro.

O segurança Rogério Costa Cavalcante, 34, aparece em uma lista de mortos como um dos "traficantes que trocaram tiros com os policiais", segundo informação oficial da assessoria de comunicação da Polícia Civil do Rio.

Das poucas coisas que se sabe sobre os mortos nos confrontos dos últimos dias, uma das mais certas é que Rogério Costa Cavalcante não trocou tiros com os policiais. Ele foi alvejado bem na frente das câmeras de fotógrafos e cinegrafistas.

Tinha os bolsos cheios de convites para a festa de aniversário de seu único filho. Iria entregá-los quando deu o azar de ficar entre os fogos da polícia e dos traficantes.

Cavalcante caiu com um buraco na barriga, pediu socorro e desfaleceu na frente das câmeras. A Primeira Página da Folha de sábado passado (27/11) publicou a foto.

SEM AUTORIDADE

O homem foi enterrado no cemitério do Catumbi na terça-feira (30/ 11). Com a polícia acusando-o de ligação com o tráfico, nenhum representante do Estado achou necessário levar solidariedade à família. Da imprensa que se acotovelava no Complexo do Alemão quando Cavalcante foi atingido, só a Folha acompanhou o enterro.

O Ministério Público ainda aguarda a conclusão dos inquéritos sobre as mortes, para entrar na história. Isso pode demorar até 30 dias.

Na última quinta-feira, um grupo de ONGs com atuação na área dos confrontos reuniu-se para "construir uma agenda propositiva para o conjunto de favelas do Alemão". Pediam investimentos do governo. Sobre os 37 mortos, nenhuma palavra.
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Fonte: Folha de São Paulo - 5/12 - Cotidiano

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

VEREADOR ROMER DIZ QUE POVO TEM QUE SE ORGANIZAR PARA QUE COMBUSTÍVEIS BAIXEM DE PREÇO



Em pronunciamento na Tribuna da Câmara de Vereadores, Romer Guex, do PSOL, manifestou a necessidade da população em se organizar para combater a exploração a que tem sido submetida pelo Governo com o preço que paga pelos combustíveis no país. “No momento em que se discute a questão do pré-sal, e que em alguns momentos, vendem a velha idéia de que “o petróleo é nosso”, é necessário lembrarmos que os lucros aviltantes e exorbitantes obtidos pelas empresas petrolíferas e suas distribuidoras no Brasil demonstram, ao contrário, de que além do petróleo não ser nosso, ele está nos escravizando e nos explorando. Urge que tomemos medidas para impor uma redução ao preço do litro da gasolina em nosso país. Deve ser de conhecimento público que no Paraguai (que não tem nenhum poço de petróleo) a gasolina custa R$ 1,45; na Venezuela R$ 0,17 ; Trinidad y Tobago R$ 0,61; Panamá R$ 1,14; Haiti R$ 1,92 o litro e sem adição de álcool; na Argentina, Chile e Uruguai que juntos (somados os 3) produzem menos de 1/5 da produção brasileira, o preço da gasolina gira em torno de R$ 1,70 o litro e sem adição de álcool. Somos AUTO-SUFICIENTES em petróleo e possuímos a TERCEIRA maior reserva de petróleo do MUNDO. Realmente, só tem uma explicação para pagarmos R$ 2,59 o litro, a GANÂNCIA do Governo com seus impostos e a das distribuidoras que buscam lucros exorbitantes.

Overeador Romer afirmou que ‘’se não fizermos nada, logo pagaremos R$ 3,00 pelo litro. Como poderemos baixar o preço da gasolina? Nós precisamos de uma ação enérgica e agressiva. Neste sentido, me filio a uma campanha nacional que pretende reduzir estes preços, sem que tenhamos que consumir menos.’’.

O socialista apresentou um manifesto a população.’’Nos próximos meses não compre gasolina da principal e maior fornecedora brasileira de derivados de petróleo, que é a PETROBRÁS (Postos BR). Se ela tiver totalmente paralisada a venda de sua gasolina, estará inclinada e obrigada, por via de única opção que terá, a reduzir os preços de seus próprios produtos ou forçar o governo em reduzir os impostos, para recuperar o seu mercado. Se ela não fizer isso, NINGUÉM IRÁ QUERER A SUA BANDEIRA BR. Se fizer, as outras companhias (Shell, Esso, Ipiranga, Texaco, etc...) terão que seguir o mesmo rumo, para não sucumbirem economicamente e perderem suas fatias de mercado. Vamos lutar na Lei deles, ou seja, da “OFERTA E DA PROCURA”, afirmou Romer Guex do PSOL.

O BRASIL CONTA COM VOCÊ!!!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Caçada na favela da Vila Cruzeiro




Plínio de Arruda Sampaio contesta a ação policial no Rio: é a “criminalização da pobreza”. E propõe alternativas.

O melhor jeito de não terminar com a criminalidade nos morros do Rio de Janeiro é realizar uma operação militar com mais de mil policiais para prender e matar traficantes numa favela.


Será possível que as autoridades ainda não tenham entendido que a invasão das favelas só cria mais ódio e só serve para matar inocentes? Claro que entendem muito bem. Nós é que não entendemos a real intenção delas, pois, na verdade, o objetivo dessas incursões militares não é prender traficantes, mas amedrontar as populações pobres que aí vivem.


Trata-se da criminalização da pobreza. É preciso aterrorizar os pobres para que não tenham a menor veleidade de reclamar contra seu lastimável estado.


Agora a violência ficou ainda pior: a Polícia criou uma tropa de ocupação – as UPPs.


Quem assistiu ao filme “Tropa de Elite 2” não tem a menor dúvida de que a maior causa da violência urbana é, na verdade, a corrupção policial. Parece incrível que, após a denúncia do deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ), o governo tenha coragem de montar uma operação bélica que, segundo os dados fornecidos pelas próprias autoridades, já matou 32 pessoas. Bandidos? Qui lo sa? Se forem bandidos, pode?


Na campanha eleitoral, propus uma forma razoável. Primeira medida, realizar uma reforma agrária, a fim de despressurizar o ambiente. Simultaneamente, legalizar o uso da maconha (não se trata de liberação geral, mas de controle da atividade pela Justiça, pelo Estado e não pelo tráfico); educar os policiais (corrompidos pela ditadura militar); e estabelecer conselhos de segurança dos bairros, colocando-os como supervisores de policiamento civilizado. Em vez de camburões e tanques da Marinha, policiais a pé, percorrendo os morros permanentemente, e dotar os conselhos de atribuições que incluam a avaliação dos policiais para efeito de promoção.


Uma vez estabelecido esse sistema, colocar a Polícia com todo rigor em cima dos traficantes de drogas químicas, que causam dependência e são produzidas por altos capitalistas, pois a atividade serve para lavar dinheiros escusos.


Fora daí estamos girando em falso. A violência apenas chama violência dobrada. Nessa espiral, os que sofrem são os trabalhadores, transformados em alvos das balas perdidas.


Plínio Arruda Sampaio é formado em Direito pela USP, foi promotor público, deputado federal constituinte e presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária – ABRA



Fonte: Carta Capital



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ENEMganados novamente


*Por Maíra Tavares Mendes

Imagine-se sentado numa carteira de escola, aguardando para fazer um concurso que foi comentado o ano inteiro como essencial no seu futuro. Para alguns, essa prova era apenas um passo necessário para chegar a uma vaga certa. Para outros, uma tentativa. Para alguns ainda, um misto de novidade, nervosismo e incerteza. Em qualquer das situações, é difícil imaginar o que se passou na cabeça dos quase 5 milhões de jovens que se depararam com os absurdos erros identificados no Enem deste ano.

É necessário precisar que falo no ano de 2010, já que no ano de 2009 o erro foi outro. A pergunta que não quer calar é: Será que o MEC não percebe o tamanho da palhaçada? Depois de conturbadas modificações em 2009, que fizeram com que diversas mudanças no exame fossem realizadas às pressas, em 2010 nos deparamos com erros grotescos.

Voltemos à nossa cena imaginada: já preocupada com o tempo escasso, eis que a pessoa vira uma página do caderno de questões e… cadê as questões? Página em branco. Ou então, ao passar as questões para o gabarito, percebe que o cartão resposta não confere com o caderno de questões. Já exasperado, o candidato provavelmente deve perguntar algo ao fiscal. O fiscal, deve ter transmitido a mesma preocupação ao seu coordenador. Imagino que os coordenadores devam ter procurados seus respectivos superiores. Fico só imaginando a quantidade de telefonemas que foram feitos para Brasília neste dia.

Diz o Presidente do INEP (órgão do MEC responsável pelo Enem) que houve uma orientação para todos os coordenadores estaduais, que teriam transmitido a informação num efeito cascata, indicarem a observação rigorosa da ordem do caderno de questões (aquele que estava na ordem diferente do cartão-resposta). Pense, nesse Brasilzão enorme de meu Deus, na possibilidade de ocorrer o famoso “telefone sem fio”. E se um fiscal desavisado orientasse o cidadão a rasurar o cartão-resposta? Ou seguir a ordem dele? Ou simplesmente não falasse nada? Todas estas situações, e outras mais, foram relatadas pela imprensa neste fim de semana. Com todas estas dúvidas na cabeça, você faria esta prova com tranquilidade?

Após o primeiro dia de prova, o Senhor Presidente do INEP disse em coletiva de imprensa que nenhum candidato seria prejudicado, e que não haveria “a menor razão para anular a prova, uma vez que esta transcorreu em tranqüilidade”. Ao ser questionado diversas vezes sobre a falta de organização, ou responsabilidades sobre os erros, afirmou insistentemente que a solução era que o MEC iria abrir um “ambiente virtual” em que os estudantes poderiam fazer um “requerimento” para que suas provas pudessem ser corrigidas de maneira “diferente”. Difícil vai ser apurar o que foi que saiu igual e o que saiu diferente, sendo que a orientação sobre preenchimento de gabaritos pode não ter atingido seu destino a tempo.

O que é mais intrigante disto tudo é como pode, depois de toda a polêmica de 2009, em que as provas foram roubadas do cofre do Ministério da Educação sob os narizes de todos, ocorrer um erro deste mote? O mínimo que se pode pensar é que o Ministério da Educação está menos se importando com a lisura e segurança de um processo seletivo nacional do que com a sua propaganda. Que bonito seria anunciar que o Enem de 2010 ocorreu sem problemas, com milhões de estudantes ocupando as vagas disponibilizadas. Entretanto este objetivo só pode ser cumprido se requisitos mínimos forem cumpridos. Um deles, que é básico, é que alguém cheque se o enunciado das questões confere com o do gabarito. E olhe que isso não requer prática nem sequer habilidade. Só um pouco de vergonha na cara.

Tenho certeza que a mesma desatenção não ocorre com as milionárias movimentações financeiras que se dão diariamente no mercado de ações, com os títulos do Governo Federal. Afinal de contas, ali há muito em jogo. Aqui, só vidas. Só educação.

Essa prova mexe com a vida de muita gente. Tem muito jovem que acreditava que poderia conseguir alguma vaga em uma universidade com esta prova. Tem outros que tinham isso como uma certeza – esses provavelmente ficam mais exaltados. Tem gente que foi lá pra conhecer como é talvez voltarem mais preparados no ano que vem. Mas para todos esses fica a sensação de que o MEC não está nem aí para eles. O que vem daí pra frente é daqueles remendos que pioram: ou vamos ter uma nova prova para todos, ou teremos uma nova prova para alguns, ou fica como está. Das três, não sei qual é a menos legítima. Escolha difícil.

E como se não bastasse, o MEC ainda vem postar ameaças no Twitter que está “monitorando” as pessoas que legitimamente se manifestaram dizendo que moveriam ações na justiça pela ilegitimidade da prova. Que papelão.

Em tempo: Este ano o Enem foi elaborado pelo conveio Cespe/Cesgranrio. A Cespe (Centro de Seleção e Promoção de Eventos) é um órgão da Fundação Universidade de Brasília, e foi presidida por ninguém menos do que José Joaquim Soares Neto, o atual presidente do INEP. O Senhor Soares Neto inclusive assumiu o cargo em virtude da saída do presidente anterior, em decorrência da fraude de 2009. Suas palavras no dia em que assumiu o cargo foram: “Não tenho dúvidas de que todos voltarão a confiar na aplicação do Enem, é uma prova que tem importância fundamental na educação superior do país”. E agora, José?

*Maíra Tavares Mendes (Professora da Rede Municipal de São Paulo, Mestranda em Educação pela UFRGS e Coordenadora do Cursinho Popular Salvador Allende/Rede Emancipa)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Impunidade sem limite


Caminhões que transportam areia das jazidas de águas Claras estão infringindo as leis de trânsito e destruindo nossas vias diariamente. Com uma carga acima da que o caminhão pode carregar e da capacidade que as vias podem suportar as infrações não tem limites. Na RS 040, no trecho de quem vai de Viamão para Porto Alegre, há um desnivelamento do asfalto que também já apresenta rachaduras por conta do excessivo fluxo de caminhões com cargas pesadas. Com uma enorme demanda de entrega e com a caçamba recheada de toneladas de areia, os motoristas dos caminhões de transporte das jazidas somam diversas infrações de trânsito. O presidente da Comissão de Transporte da Câmara de Viamão, Vereador Romer Guex (PSOL), afirmou na Tribuna da Câmara que nunca recebeu tantas reclamações. ‘’Todos os dias recebo reclamações dos viamonenses que não suportam mais tanto desrespeito nas vias do município. Desrespeito a sinaleiras por conta de uma caçamba cheia que não permite por muitas vezes frear, utilização da faixa da esquerda (para veículos rápidos) e troca de faixa sem respeitar os demais veículos, são alguns dos elementos que compõe a direção agressiva dos motoristas de caminhão das jazidas que tanto tem incomodado os demais motoristas. Nossas vias estão cada dia piores por conta do peso da areia transportada, sem que haja fiscalização visto que a Policia Rodoviária não conta com balança para pesagem. ’’, afirma o presidente da Associação de Trânsito, onde estão sendo levantados todos os dados a respeito das arbitrariedades, que promete mover ações para o fim do transporte sem controle.
Guilherme de Oliveira (Assessoria de Comunicação do Gabinete do vereador Romer Guex)